Tikkun Global – Jerusalém, Israel
Quando os Sons das Trombetas se Tornam Um
No início desta semana, quando a sirene do Dia do Memorial soou em todo Israel, tudo parou. Carros pararam, pessoas pararam e o peso da lembrança preencheu o ar. Em nossa casa, minhas meninas — uma de seis anos e outra de apenas dezoito meses — ouviram, e eu podia ver o medo nos olhos delas. Elas pensaram que era uma sirene de aviso. Naquele momento, elas não conseguiram notar a diferença.
Isso ficou comigo. Isso me fez pensar novamente sobre a trombeta nas Escrituras — não apenas como som, mas como uma linguagem. Em Números 10, Deus estabelece seu propósito: “Faze duas trombetas de prata… servir-te-ão para convocares a congregação e para a partida dos arraiais” (Números 10:2). As Escrituras mostram que a trombeta era usada para propósitos distintos — convocar e orientar o povo em momentos que exigiam resposta.
Yeshua descreve um dia em que a trombeta soará novamente, não apenas para Israel no deserto, mas para o mundo inteiro: “E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos…” (Mateus 24:31). Este é o chamado que arrebanha — um convite claro e inconfundível para nos reunirmos. Na tradição judaica, esse tipo de som é frequentemente descrito como Tekiah, um toque longo e constante que traz alinhamento e unidade.
As escrituras também descrevem explicitamente a trombeta sendo usada para soar o alarme em tempos de guerra: “Quando, na vossa terra, sairdes a pelejar contra os opressores que vos apertam, também tocareis as trombetas a rebate…” (Números 10:9). Isso não é um chamado para reunir, mas um chamado que exige uma resposta. A mesma ideia é ecoada nos profetas: “Tocai a trombeta em Sião e dai voz de rebate no meu santo monte; perturbem-se todos os moradores da terra…” (Joel 2:1). Na tradição judaica, esse tipo de sinal urgente está associado ao Teruah, um toque rápido e inconstante.
De muitas formas, esse é o som com que temos vivido. Quando sirenes soam por todo o Israel — seja durante ataques vindos de Gaza, Líbano ou Irã — não há tempo para interpretar. Famílias correm para abrigos antiaéreos, crianças são reunidas e tudo para. O som em si carrega urgência. Exige uma resposta. A sirene moderna de alerta sobe e desce em ondas repetidas, um padrão de altos e baixos que ecoa fortemente o caráter do Teruah.
Depois, há outro tipo de som, que as Escrituras não definem como uma função específica de trombeta, mas que conhecemos profundamente aqui em Israel. No Dia da Memória do Holocausto e no Yom HaZikaron, a sirene preenche a terra novamente — mas, desta vez, ninguém corre. Tudo para. É um chamado para a memória, um som que carrega o luto, que leva uma nação ao luto. As escrituras mostram que esse tipo de luto fará parte do momento final: “olharão para aquele a quem traspassaram; pranteá-lo-ão como quem pranteia por um unigênito” (Zacarias 12:10). Na tradição judaica, esse tipo de interrupção frequentemente se reflete nos Shevarim, uma série de sons fragmentados e suspirosos que ecoam o grito do coração.
O que começa a emergir não são apenas diferentes tipos de sons, mas diferentes realidades — um chamado que reúne, um chamado que exige uma resposta e um momento que parte o coração. E a Bíblia aponta para um dia em que essas coisas não virão mais separadamente. Quando Yeshua voltar, a trombeta soará, e tudo acontecerá ao mesmo tempo. Seu povo será reunido, as nações serão abaladas e corações se abrirão como nunca antes. O som não precisará de interpretação. Vai ficar completo.
O que experimentamos agora em fragmentos — momentos de alerta, momentos de lembrança, momentos de despertamento — convergirá em uma realidade avassaladora. Um som. E isso nos traz de volta, porque quando esse momento chegar, os três estarão acontecendo ao mesmo tempo. Alguns ouvirão o som e, pela primeira vez, perceberão o peso do que foi revelado, e seus corações se partirão. Outros vão ouvir isso como um alarme, reagindo com medo e urgência ao que está acontecendo ao seu redor. Mas outros reconhecerão como o chamado do Rei, reunindo-os para Si — não porque seja novo para eles, mas porque já conhecem Sua voz.
Então, a questão não é apenas o que vai acontecer, mas em qual grupo estaremos. Estaremos entre aqueles que só então despertam, ou entre aqueles que respondem com medo, ou entre aqueles que já estão acordados e reconhecem Sua voz quando Ele chama?
O momento de decidir é agora—tornar-se aqueles que conhecem Sua voz, que se refugiam nEle e que estarão prontos quando Ele chamar.