Quando a oração some: assista à entrevista com Sara Hagerty sobre o livro Adore
A autora norte-americana, mãe de sete filhos e já conhecida dos leitores brasileiros pelo livro Unseen, conversa com Christopher Walker sobre o que fazer quando a fé esfria — e como três minutos por dia podem reabrir uma conversa com Deus que parecia perdida.
Tem dias em que a gente se sente longe de Deus sem nem saber direito como chegou ali. Sem rebeldia. Sem grande crise. Apenas… cansaço. A oração some. A Bíblia continua na cabeceira, mas não convida. O domingo na igreja vira mais uma tarefa cumprida na semana.
Foi exatamente desse lugar que Sara Hagerty começou a escrever Adore, agora lançado em português pela Editora Impacto.
Mãe de sete filhos — do mais velho com 22 anos à caçula de seis — casada com Nate e já bem conhecida dos leitores brasileiros pela publicação anterior, Unseen, Sara não chega com receita pronta. Ela chega com história. Conta sobre a infertilidade que viveu. Sobre a morte do pai. Sobre as perdas acumuladas em uma fase específica da vida. E sobre o momento em que uma amiga querida, num café simples, identificou o que estava acontecendo dentro dela: um cinismo crescendo, segundo a própria expressão da Sara, “como um mofo no coração” em relação a Deus.
A pergunta que essa amiga fez mudou a rota: “Você já considerou praticar adoração?”
Em entrevista exclusiva à Editora Impacto, Sara conta o que essa pergunta significou na prática. Adoração, na proposta dela, não é a sigla que muitos cristãos conhecem (ACTS — Adoração, Confissão, Ação de Graças, Súplica). Não é uma estratégia de oração. É algo mais simples e, ao mesmo tempo, mais difícil:
Orar as Escrituras de volta para Deus, levando até Ele o coração que você tem agora — e não o coração que você gostaria de ter.
Assista à conversa completa abaixo. São cerca de 18 minutos. Recomendamos com café na mão.
Três momentos da entrevista que vale a pena guardar
Para quem quer um aperitivo do que Sara desenvolveu na conversa, separamos três passagens que marcaram a equipe editorial.
1. O Salmo 23 quando você não se sente pastoreada
Sara descreve como começou a praticar adoração lendo o Salmo 23. Quando você lê “O Senhor é o meu pastor, nada me faltará” — e por dentro está se sentindo perdida, sobrecarregada, sozinha — é exatamente nesse ponto que a adoração acontece. Você declara para Deus quem Ele é, segundo a Palavra, mesmo que a emoção não acompanhe. E nesse vai e vem entre a Palavra e o coração cru, algo se move.
2. A reforma de nove meses sem oração
Talvez o momento mais identificável da entrevista. Sara conta que a casa em que mora teve que ser quase totalmente reconstruída por causa de mofo. Por nove meses, ela atuou como gerente da própria obra — decisões constantes sobre piso, drywall, parede, custos. Pressão financeira. Sete escolhas estressantes antes das duas da tarde.
E ela percebia, todos os dias: “Hoje eu não falei com Deus uma única vez.”
A solução não foi separar uma hora sagrada que ela sabia que não conseguiria cumprir. Foi sair na varanda dos fundos por três minutos. Levar o eu cru até a Palavra. Voltar para a obra. Três minutos a mais do que ontem — e isso já era começo.
3. A versão rabugenta de você
A passagem mais bonita da conversa, talvez. Sara compara a vida espiritual com a filha de seis anos. Quando a menina entra em colapso emocional brigando com os irmãos, o que ela mais precisa não é ficar bonitinha para receber afeto. Ela precisa de colo. De braços.
A reflexão de Sara:
Talvez Deus prefira a sua versão rabugenta e cansada à sua versão arrumada de domingo. Esses são os momentos que talvez Ele queira ainda mais do que quando estamos numa multidão adorando.
Sobre o livro Adore
Adore tem uma seção de introdução, em que Sara desenvolve a base bíblica e prática da adoração, seguida de uma seção devocional com 30 capítulos sobre atributos de Deus. Cada capítulo apresenta versículos, uma história pessoal da autora e perguntas para reflexão. Pode ser lido em 30 dias (um por dia), num ritmo semanal, ou mais demoradamente — ficando um mês inteiro em um único atributo, como ela mesma sugere na entrevista para quem está lutando com a imagem de Deus como Pai.
É um livro que, segundo a própria autora, não foi escrito para o cristão eufórico. Foi escrito para quem está cansado, frio, achando que errou feio, sem aquele grande desejo de orar como antes.
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Sara Hagerty é autora norte-americana, mãe de sete filhos, esposa de Nate Hagerty e voz reconhecida sobre vida de oração e adoração. Seus livros publicados em português pela Editora Impacto incluem Unseen e Adore. A entrevista foi conduzida por Christopher Walker, cofundador da Editora Impacto.
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