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A Cruz e a Oração

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A Cruz e a Oração

J. Huegel (1889-1971)

Consideremos a oração à luz da nossa crucificação com Cristo. Oração nada mais é do que ter comunhão com Deus. A velha vida não pode ter comunhão com Deus uma vez que, em Cristo, foi condenada e sentenciada à morte. Somente existe verdadeira comunhão quando a velha vida é interrompida.

O único motivo por que muitos consideram a oração tão insatisfatória e a vida de oração tão pouco atraente é porque procuram manter um plano celestial de oração pela força do “velho homem”. O “velho homem” não consegue manejar essas armas, pois “não são humanas, mas poderosas em Deus”, assim como não consegue “amar seus inimigos”, nem “alegrar-se sempre”, ter a “mente de Cristo”, ou desenvolver qualquer outra graça cristã. O “velho homem” pode imitar essas graças, mas jamais conseguirá possuí-las de fato.

Elas são “o fruto do Espírito”. Elas vêm do alto. São evidências da natureza de Cristo transmitidas àquele que crê e incorporadas a seu ser em virtude da Cruz, isto é, por meio da remoção da velha natureza pela participação do crente na morte de Cristo.

A verdadeira oração somente pode ser iniciada com base na crucificação com Cristo. Essa é a condição primordial. “Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e vos será concedido” (Jo 15.7). É preciso estar “em Cristo”. Mas não podemos estar em Cristo no sentido mais pleno sem entregarmos à morte a “velha vida”, pelo poder da morte do Salvador – ou nos posicionando como Deus nos vê: crucificados com Cristo.

Quando percebemos nossa unidade com Cristo em morte e ressurreição, descobrimos que a oração se torna a maravilhosa força que havia na vida do Salvador e na invencível dinâmica que é revelada no livro de Atos e na experiência dos grandes santos de todos os tempos.

É então que nosso espírito, liberto da carne e dos emaranhados da alma pelo poder da Cruz,  “subirá com asas como águias”. É então que a comunhão com o Deus eternamente adorável, que habita na eternidade, acontece espontânea e naturalmente na sua mais plena forma. É então que a ordem “Orai sem cessar” deixa de ser uma determinação incompreensível, pois o espírito, agora livre da escravidão da “vida carnal” e de toda opressão satânica, apropria-se dos benefícios da vitória do Calvário e ressurge para ocupar seu lugar com Cristo nas regiões celestiais, onde a oração é como inspirar incessantemente a vida de Deus.

É então que a oração, movida pelo Espírito do Deus vivo (o que só pode ocorrer quando há libertação de todos os elementos egoístas), torna-se um gemido inexprimível, que pode mover montanhas e realizar o impossível. É então que a oração se torna uma realização da vontade de Deus e, portanto, certamente prevalecerá, não importam as dificuldades, por mais graves e impossíveis que sejam os problemas e as necessidades.

É então que essa imensa disparidade entre o que o Mestre disse que a oração realizaria e a ineficaz prática que se tornou para milhões de pessoas na atualidade será removida, e a oração florescerá em toda a glória de sua verdadeira natureza.

Grandes guerreiros da oração

Ao examinarmos a oração à luz da Cruz e da nossa participação na morte e ressurreição do Salvador, não ficamos surpresos com os resultados obtidos por alguns dos maiores guerreiros de oração da Igreja:

Hudson Taylor e seus companheiros oraram para que mil trabalhadores fossem enviados à China. O resultado foi que o Senhor enviou ainda mais que pediram: mil cento e cinquenta e quatro;

George Müller, de Bristol, recebeu, como resposta de oração, milhões de dólares para o sustento dos muitos órfãos que estavam sob seu cuidado;

David Brainerd lutou com Deus nas florestas da Nova Inglaterra, EUA, por um grande avivamento, não apenas entre seus amados indígenas, mas também por grandes colheitas de almas em todo o mundo, tornando-se um dos principais fatores, segundo alguns registros históricos, que desencadeou a grande era de Missões Modernas.

Tais façanhas abundam na vida e na obra daqueles que conheceram o Senhor Jesus e o poder da sua ressurreição. Como Paulo, participaram com Jesus em seus sofrimentos – “identificando-me com ele na sua morte” (Fp 3.10).

Comunhão na morte e na vitória de Cristo

Talvez a grande crise mundial, com as aflições econômicas e morais que afligem as nações, seja resultado da total apatia espiritual da Igreja. A Igreja é o agente divino para a redenção das nações.

A premente necessidade de hoje, como tem sido em todos os tempos, é expulsar o monstruoso egoísmo que habita o coração dos homens e abrir as comportas sobre as nações para a livre circulação do grande amor de Cristo. Não existe outra cura para as nações; não existe outra esperança para a alma do pecador.

Não deveríamos, portanto, dar lugar a um cristianismo puro? Cristo não pode se apossar de nós e fazer com que os rios de Água Viva que prometeu fluam de nosso coração com cura, renovação, transformação, copiosa força, a não ser que estejamos dispostos a nos despojar de nossa própria vida. Cristo não erguerá seus novos edifícios sobre as velhas fundações do egocentrismo. Não é o caso de negarmos determinadas coisas, mas sim de uma renúncia completa de nós mesmos.

Cristo nos levou consigo para a Cruz. A chamada vida adâmica, o “velho homem”, foi potencialmente destruído no Calvário. Deixemo-nos atrair pelo amor que moveu o Salvador a ponto de se deixar ser cuspido, de ser crucificado entre dois criminosos enquanto a multidão zombava dele, de ser pisoteado como se fosse algo desprezível, para que pudéssemos ter vida. Respondamos com alegria aos insondáveis anseios do Crucificado.

Ele quer que compartilhemos com ele de sua Cruz. Ele quer que nos divorciemos da mente carnal, que é inimizade com Deus, ao participarmos da sua própria morte. Na sua morte fomos batizados (Rm 6.3). Para nós, seguidores de Cristo, sua morte para o pecado é nossa morte para o pecado; sua ressurreição é nossa ressurreição, sua vitória é nossa vitória, sua ascensão é nossa ascensão.

Que Deus nos conceda graça para reivindicarmos nossa completa herança, para podermos ser mais que vencedores. “Àquele que é poderoso para vos impedir de tropeçar e para vos apresentar imaculados e com grande júbilo diante da sua glória, ao único Deus, nosso Salvador, por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor, sejam glória, majestade, domínio e poder, antes de todos os séculos, agora e para todo o sempre. Amém” (Jd 24,25).

– Retirado de Bone Of His Bone.

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3 respostas

  1. Boa noite. Já fui um distribuidor da editora Impacto, perdi o contato, fico feliz em poder restabelecer.
    As literatura eram muito concorridas. Principalmente o Arauto.
    Os temas são muito profundos e edificantes.

  2. Excelente literatura, em uma ministração do Pr Haroldo, ele havia comentado sobre essa obra prima. Obrigado ministério Impacto, vocês tem sido uma benção na vida de muitas pessoas, em especial na minha vida pois desde 1984 vendo acompanhando esse projeto.😍

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