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A Natureza de um Avivamento Enviado por Deus

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A Natureza de um Avivamento Enviado por Deus

Duncan Campbell (1898-1972)

    “Permanecerás para sempre irado contra nós? Estenderás tua ira a todas as gerações? Não tornarás a vivificar-nos, para que teu povo se alegre em ti?” (Sl 85.5-6).

Essas palavras do salmista expressam o clamor do coração de muitos queridos filhos de Deus hoje. Sem dúvida existe uma crescente convicção em muitas regiões de que, se não acontecer um avivamento, isto é, um avivamento enviado por Deus, outras forças que desejam desafiar os princípios cristãos que conhecemos ganharão terreno.

De fato, um bom observador já consegue ver, em todo o mundo, que há sinais indicando uma condição cada vez mais madura tanto para arrependimento quanto para juízo. Essa evidência parece nos mostrar que existe uma crescente fome para que Deus manifeste seu poder, e tão intensa é essa fome e tão profundo é o anseio que o clamor do profeta da antiguidade pode ser ouvido com frequência dos lábios dos filhos de Deus.

Nossa única esperança é um avivamento

“Oh! se fendesses os céus e descesses, e os montes tremessem à tua presença, como quando o fogo acende os gravetos e faz a água ferver, para que os teus adversários conhecessem o teu nome, e as nações tremessem diante de ti!” (Is 64.1-2).

Observe que, na sua oração, o profeta sugere duas coisas fundamentais: que, se Deus não descer, os montes não tremularão e os pecadores não tremerão; mas se Deus descer, se Deus manifestar seu poder, se Deus mostrar sua mão, se Deus entrar em campo, os montes tremerão – os montes da indiferença, os montes do materialismo, os montes do humanismo tremerão diante da presença de Deus, e as nações, não apenas os indivíduos, mas as próprias nações tremerão.

Não temos visto nações tremerem, mas já vimos comunidades, vimos distritos, vimos congregações serem dominadas por Deus em questão de horas quando ele desceu à terra!

É verdade, também, que temos visto grandes esforços do homem no campo do evangelismo produzirem impacto zero na comunidade. Temos visto igrejas repletas. Temos visto muitas profissões de fé. Temos visto centenas, sim, e milhares responderem ao convite para aceitar a Cristo. Mas o que quero dizer, meus queridos, e digo sem medo de ser contestado, tudo isso pode acontecer sem a presença de Deus! Bem, isso pode surpreendê-lo, mas eu repito: tudo isso pode acontecer sem sair do patamar humano.

Howard Spring estava certo quando escreveu: “O Reino de Deus não avançará porque nossas igrejas estão cheias de pessoas; avançará quando as pessoas nas nossas igrejas estiverem cheias de Deus”. Aí está a diferença! Igrejas abarrotadas e um profundo interesse nas atividades da igreja são coisas possíveis de acontecer no nível humano sem afetar a vida da sociedade!

A diferença entre evangelismo e avivamento

A diferença entre um evangelismo bem-sucedido (e uso a expressão “bem-sucedido”) e avivamento é esta: no evangelismo, dois, três, dez, vinte ou até cem pessoas confessam Jesus Cristo como seu Salvador e, no final do ano, você comemora se metade deles ainda estiverem firmes na igreja. Mas a sociedade em si permanece intocada. Lugares de festa continuam lotados, bares, danceterias, bailes – todos abarrotados. Centenas de pessoas lotam cinemas e teatros[1]. Aquilo não provocou diferença alguma na comunidade.

Por outro lado, no avivamento, quando o Espírito Santo de Deus marca presença, quando os ventos dos céus sopram, de repente a comunidade se torna consciente da presença de Deus! Uma percepção do divino se apodera de todos: de jovens, idosos, pessoas de meia-idade. Foi isso que aconteceu no Avivamento nas Ilhas Hébridas, onde 75% dos que foram salvos em uma noite se converteram antes de participarem de qualquer reunião!

“O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria…” (Sl 111.10). Aí está a diferença entre evangelismo e avivamento, e é por isso que afirmo que nossa grande esperança não está em campanhas.

Graças a Deus por tudo o que tem sido realizado em cruzadas evangelísticas! Graças a Deus por tudo o que está sendo feito por meio de missões! Eu represento uma missão na Escócia. Também temos obreiros no Canadá – e agradecemos a Deus por tudo o que tem sido realizado através dos esforços de pastores, de evangelistas e de obreiros cristãos, levando um indivíduo aqui, outros dois ali ao conhecimento de Jesus. Mas nossa principal necessidade, e a única resposta para o problema que afronta a Igreja cristã nos dias de hoje, é uma visitação de Deus!

Avivamento em Berneray

Permita-me ilustrar o que estou querendo dizer, usando um incidente que aconteceu não nas ilhas maiores, mas na pequena ilha chamada Bernaray, na região das Hébridas.

Eu era um dos preletores na Convenção de Bangor. A Convenção de Bangor talvez seja uma das maiores convenções [redes de igrejas] da Grã-Bretanha[2]. Eu estava sentado no púlpito, atrás do presidente da convenção e de outro palestrante, quando fui tomado pela convicção de que deveria deixar o lugar, sair de lá imediatamente e dirigir-me àquela ilha.

Eu me virei para o presidente e lhe contei a minha impressão. Ele disse: “Mas você não pode abandonar a convenção. Você fará o discurso de encerramento”.

Ah! Mas minha convicção não me permitiria fazer o discurso de encerramento! Por fim, concordaram com minha decisão. Na manhã seguinte, tomei um avião para a cidade de Glasgow; de lá, peguei outro avião para a cidade de Stornoway, de onde um carro me levou para o outro lado da ilha até o lugar em que uma balsa me levaria para a ilha de Berneray, com cerca de quinhentos habitantes.

Na minha chegada, encontrei um jovem. Não conversei com o homem que conduziu a balsa que me levou à ilha. As pessoas ali me eram totalmente desconhecidas. Eu nunca visitara aquela ilha. Nunca fora convidado e, até onde sei, ninguém na ilha jamais havia me encontrado antes. Mas eu estava ali. Perguntei ao jovem: “Você poderia me dizer onde mora o pastor mais próximo?”

— Não temos pastores na ilha. As duas igrejas que temos estão sem pastor.

— Você poderia, então, me mostrar onde mora o obreiro ou líder responsável mais próximo?

— Claro, um presbítero mora próximo daqui, naquela casa da colina.

Então eu disse ao rapaz: “Você poderia ir até lá e dizer-lhe que o Sr. Campbell está na ilha? Se ele perguntar: ‘Quem é esse Campbell?’, diga que é o mesmo que estava na ilha Lewis.

O jovem subiu e, depois de alguns minutos, voltou dizendo: “Hector McKennon estava esperando sua chegada hoje. E disse que o senhor vai ficar hospedado na casa de seu irmão. Ele pediu para lhe dizer que convocou uma reunião na igreja para as nove horas esta noite e espera que o senhor seja o orador”.

O segredo do avivamento de Berneray

Agora, explique isso como preferir. Na manhã do dia em que eu estive na igreja da Ilha Bangor, aquele homem decidiu passar o dia em oração. Ele estava preocupado com a congregação, especialmente com o estado em que se encontravam os jovens, crescendo indiferentes a Deus e à igreja. Sua esposa me contou que, em três ocasiões, ela foi até a porta do celeiro onde ele estava orando e ouviu sua oração: “Deus, não sei onde ele está, mas o Senhor sabe. Traga-o para cá”.

Por volta das dez horas daquela noite, ele foi tomado pela convicção de que Deus havia ouvido seu clamor e que eu estaria na ilha no dia determinado. Consequentemente, ele marcou a reunião para as nove horas daquela noite.

Fomos para a igreja. Um considerável grupo, cerca de oitenta pessoas, estava reunido. O culto foi muito comum. Na verdade, no final, eu me perguntei se realmente havia sido uma direção de Deus ir até lá. Mas ali havia homens mais chegados a Deus do que eu. Meus amados, precisamos ser honestos!

Aquele senhor foi até onde eu estava e me disse: “Espero que o senhor não esteja frustrado por não ter visto um avivamento na igreja esta noite. Mas o Espírito de Deus está pairando sobre nós, e romperá as barreiras a qualquer momento!”

Aquele homem tinha intimidade com Deus!  “A intimidade do Senhor é para os que o temem…” (Sl 25.14).

Deus chegou!

Em seguida, saímos da reunião e começamos a descer a pé. A igreja ficava numa pequena colina, a rua principal ficava a cerca de trezentos metros da igreja. O povo da congregação estava descendo a rua e nós estávamos atrás deles quando, de repente – é a isso que me refiro quando falo da diferença entre evangelismo e avivamento – de repente, o mais velho de todos tirou seu chapéu e disse: “Veja, senhor Campbell. Deus chegou! Deus chegou! Veja o que está acontecendo!”

Olhei para o grupo e os vi ajoelhados no meio da grama. Ouvia o clamor dos contritos. E essa reunião espontânea, que começou às onze horas daquela noite, não terminou antes das quatro da manhã!

A ilha foi, repentinamente, tomada pelo Senhor! Aquilo aconteceu porque Campbell foi até a ilha? Jamais entretenha esse pensamento.

Eu apenas agradeço a Deus pelo privilégio – e como sou grato por ter tido sensibilidade e intimidade com Deus suficientes para conseguir ouvir sua voz. Sempre me lembro daquela experiência. Ah, eu sempre me lembro do que aconteceu! Se eu não estivesse em contato com Deus, se eu estivesse em algum lugar onde não pudesse ouvir a voz do Salvador, a voz de Deus, será que Berneray teria perdido aquela poderosa visitação que sacudiu a ilha de um lado para o outro, em todas as direções?

Eu me pergunto se houve uma única casa na ilha que não tenha sido visitada naquela noite! Uma convicção de Deus, uma consciência de Deus pareceu pairar sobre a atmosfera daquele lugar! O próprio ar parecia estar carregado com o poder do Deus Todo-Poderoso! Isso é avivamento!

Observe o princípio que foi posto em ação. “E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, orar e buscar a minha presença, e se desviar dos seus maus caminhos, então ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra” (2 Cr 7.14).

Havia pelo menos um homem naquela ilha que atendia às condições dessa passagem das Escrituras; e porque ele preenchia as condições, Deus, sendo um Deus que mantém suas alianças, foi fiel à sua parte da aliança. Deus, para “defender” sua própria honra, deu ouvido às orações do carteiro daquela comunidade, que se manteve de joelhos em seu celeiro durante um dia inteiro.

Existem princípios que governam o despertar espiritual… Ah, que Deus encontre pessoas prontas para satisfazerem e cumprirem os princípios que regem um despertamento espiritual.

SENHOR, favoreceste tua terra; restauraste os cativos de Jacó. Perdoaste a maldade do teu povo; cobriste todos os seus pecados. Retraíste toda a tua fúria; refreaste o furor da tua ira. Ó Deus da nossa salvação, restabelece-nos e retira de nós a tua ira. Permanecerás para sempre irado contra nós? Estenderás tua ira a todas as gerações? Não tornarás a vivificar-nos, para que teu povo se alegre em ti? SENHOR, mostra-nos teu amor e estende-nos tua salvação. Escutarei o que Deus, o SENHOR, disser, porque ele promete paz ao seu povo e aos seus santos; que eles jamais voltem à insensatez. Certamente sua salvação está perto dos que o temem, para que a glória habite em nossa terra. O amor e a fidelidade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram. A fidelidade brota da terra, e a justiça procede do céu. O SENHOR dará o que é bom, e nossa terra produzirá seu fruto. A justiça irá adiante dele, marcando o caminho com suas pegadas” (Sl 85.1-13).

– Extraído, com permissão, de Christ Life Ministries.  Duncan Campbell foi um pregador escocês e um dos líderes no Avivamento das Ilhas Hébridas de 1949.

[1] Em épocas passadas, era considerado errado um cristão frequentar cinemas, bares, teatros. Hoje, talvez usaríamos outras referências para dizer que a sociedade não foi impactada: materialismo, um estilo de vida voltado para benefício próprio, falta de compaixão, falta de devoção a Deus, falta de interesse nas causas de missões e ajuda aos necessitados, etc.

[2] Na época que este artigo foi escrito.

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