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O Que Aconteceu com o Pecado?

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Por: David Kyle Foster

Você já notou que ninguém mais se sente culpado? “Nós não pudemos evitar! Nossos genes nos forçam a pecar! A culpa é desses pais que nos deste, Senhor! Foram nossas circunstâncias, nossa condição física, nosso estado mental.”Sorte nossa! Temos a ciência e a psicologia para nos dar os álibis de que precisamos para evitar a culpa e desculpar nossas escolhas em continuar pecando. Pior para os povos antigos que tiveram que sofrer as conseqüências por suas ações!

Você já notou que a palavra “pecado” não aparece mais na conversação moderna? O que é até pior é o modo sutil em que os cristãos usam a graça e o perdão de Jesus como desculpas para se recusarem a renunciar e abandonar o pecado. “Nós vamos para o céu de qualquer maneira, então por que se preocupar? Jesus nos ama do jeito que somos. Todo mundo comete erros. Somos apenas humanos!”

Freqüentemente usamos tais eufemismos para nos dispensarmos da grande vocação de nos tornarmos mais parecidos com Cristo. Renunciamos nossa herança como poderosos guerreiros de Deus para sermos meras “vítimas”.

Como Esaú, procuramos satisfação imediata, não percebendo que nosso jogo de fingir que “não há nada que possamos fazer” será revelado como “amor ao pecado” quando Jesus vier, e que teremos, de fato, que responder pelas escolhas que fizemos nesta vida. Nada contribui mais para este auto-engano do que a idéia de que ser uma vítima nos livra da responsabilidade.

Este foi meu pensamento por muitos anos. Alimentando-me do sentimento “Ninguém me ama nem se importa comigo”, disseminado pelos rebeldes das telas de cinema como James Dean e Marlon Brando, eu imaginava que minha identificação com suas vidas difíceis serviria para justificar um estilo de vida semelhante à deles, entregue ao vício. Afundando no esquecimento induzido pelas drogas, freqüentemente sussurrava para mim mesmo: “Não há nada que possa fazer. Minha vida foi muito dura.”

Na verdade, a visão do mundo que esses rebeldes transmitiam para mim era muito mais atraente do que o ambiente restritivo e enfadonho da igreja onde fui criado. Eu também amava os estados de êxtase que esta vida me dava e não queria uma vida onde seria responsável por controlar meus desejos e prazeres. Deus deixou que eu tivesse o que queria, e troquei vinte anos de alegria espiritual por vinte anos de auto-piedade desperdiçada.

Às vezes no ministério, inadvertidamente criamos um ambiente que incentiva as pessoas a permanecerem quebradas. Ao oferecermo-lhes um lugar seguro para examinar assuntos relacionados ao pecado e à escravidão, permitimos que as pessoas perpetuem seus auto-exames muito além do tempo necessário, quando já deviam há muito ter começado a tomar passos em direção ao crescimento e cura das feridas.

Por que fazemos isto? Porque descobrimos que se confrontarmos certas pessoas com seus pecados, então partirão para outra igreja onde possam continuar achando consolo enquanto permanecem quebradas, e ao mesmo tempo nos culpar por não satisfazer suas necessidades. Caímos nas artimanhas dos menos amadurecidos entre nós por causa da cobiça por seu dinheiro ou do medo de sua crítica. Tornamo-nos assim uma igreja condescendente

O que dizem os “Peritos”?

A ciência moderna e a psicologia buscam a todo custo por respostas racionais aos problemas da vida. Mas tentam responder perguntas que envolvem corpo, alma e espírito com raciocínios que lidam apenas com corpo e alma. Conseqüentemente, suas respostas são imperfeitas, inexatas e potencialmente muito mais prejudiciais do que o problema original. No entanto, continuamos baseando nossas vidas no conselho de nossa própria seleção pessoal de “peritos”.

Esta “cultura de peritos” controla silenciosamente o pensamento moderno a partir de uma gama de conhecimentos que é deploravelmente inadequada para isso. O campo da psicologia, por exemplo, ainda está em sua infância, mais ou menos como era o campo da medicina cem anos atrás; contudo posiciona-se como se seu conhecimento fosse infinitamente maior. Muitos dos “modelos” que hoje são considerados os mais modernos e mais necessários meios de terapia, serão reconhecidos amanhã como as práticas erradas que realmente são.

Considere a negligência já demonstrada em tais terapias como “regressão de vida passada e futura”, “hipnose”, o uso de pornografia para tratar de quem comete ofensas sexuais, e recentes tentativas dentro da Associação Psicológica Americana de condenar quem aconselha os homossexuais a mudarem seus hábitos. Até mesmo em terapias universalmente aceitas como os grupos de doze passos, um erro é cometido freqüentemente quando se permanece durante tanto tempo usando esta ferramenta útil, que o eterno enfoque em si mesmo e a “identidade de vítima” são inconscientemente nutridos ao invés de serem tratados.

Parte do que significa viver como vítima é ter uma atitude do tipo “Eu mereço!”. A linguagem do aconselhamento pode ser uma coadjutora neste processo. Pode suprimir o impulso para o verdadeiro arrependimento bíblico.

Se sou um “viciado” ou tenho uma “doença”, então tenho uma desculpa, uma razão legítima para fazer o que estou fazendo. Onde então está a necessidade de se arrepender? Se estou pecando porque mereço uma vazão para esta minha ira por ter sido vítima, então por que lamentar e chorar perante Deus por causa das minhas ações?

Tendemos a nos desculpar e esquecemo-nos que Deus exige de nós um padrão mais elevado. Como ele pode fazer isso? Porque ele providenciou uma maneira para caminharmos de acordo com este padrão pelo poder do Espírito Santo, como também um meio de purificação através do arrependimento quando falhamos. Não fomos destinados a viver na escravidão desesperada de Romanos 7, mas sim, na vitória de uma cooperação com o Espírito Santo de Deus, exposta em Romanos 8.

Na edição de agosto de 1998 da Sursum Corda, o Arcebispo Randolph Adler, primaz da Igreja Episcopal Carismática, escreveu: “Em uma cultura onde a atitude terapêutica domina, categorias terapêuticas substituem categorias morais a tal ponto que o pensamento moral parece não ser mais possível. Saúde, doença, ser ‘bem ajustado’ ou ‘desajustado’ substituíram categorias de bem e mal, sabedoria e tolice.”

Como categorias terapêuticas conseguem usurpar o trono de Deus? Tudo começa com os “peritos” que substituem Deus como a voz da verdade na cultura. Ganham uma influência controladora nos sistemas políticos e educacionais e intimidam a oposição com a ameaça de legislação e castigo. Eles se colocam como única fonte confiável e bem informada da verdade, levantando portões de “credenciamento” e “autorização”.

Através dessa pretensão, assumem o elevado cargo moral de “protetor benevolente” da humanidade, enquanto distribuem receitas que cada vez mais separam o homem de Deus. Quanto mais suas respostas parecem funcionar, mais o homem é enganado, e passa a pensar que não é responsável diante de Deus por suas ações e nem precisa da ajuda de Deus.

É um processo muito sutil pelo qual o homem é persuadido a buscar respostas psicológicas como esperança de cura em lugar de fixar sua esperança em Jesus Cristo. Assim, o homem conselheiro suplanta Deus como Conselheiro (veja Is 9.6).

Com o engrandecimento dos deuses seculares, até mesmo alguns cristãos ficam convencidos de que existem algumas pessoas com certos problemas do passado para as quais a Palavra de Deus não funcionará, e que devem, ao invés de usar a Palavra de Deus, usar terapia ou drogas para melhorarem. Na verdade, existem pessoas que precisam de tais coisas. Mas não porque a Palavra de Deus não funciona para elas; ao contrário, é porque elas (e aquelas que as estão ajudando) se recusam a acreditar nisto. Elas colocam sua fé em deuses seculares que silenciosamente cantam o refrão: “Deus realmente disse?” (Gn 3.1).

Os modelos e as teorias psicológicas não são inerentemente maus. O problema é que ficamos tão apaixonados por eles que inconscientemente depositamos neles nossa esperança e fixamos ali nossos olhos ao invés de focalizarmos o que deve ser o alvo de qualquer processo de cura – o desenvolvimento de uma relação íntima com Deus, baseada na apropriação das promessas das Escrituras.

Precisamos nos banhar nas promessas de Deus e no conhecimento da sua bondade e poder. Temos que substituir nossa velha imagem de Deus Pai com uma nova imagem concebida na sua presença durante longas horas de busca (veja Jr 29.11-14). Devemos reconfigurar nossos sistemas de convicção recitando as promessas de Deus, até nossos pensamentos se tornarem um com a Palavra de Deus.

Sim, pode demorar para levar alguém a estar disposto a confiar, crer e permanecer na bondade e no poder de Deus Todo-poderoso. Mas, na maioria das vezes, nem tentamos. Ao invés disso, abandonamos o modo bíblico e o trocamos pelo modo humano, aprisionando nossos pacientes nesse esquema de desempenho, obsessão consigo mesmo e orgulho humano. Assim, rouba-se a glória de Deus.

Há Algum Valor na Psicologia?

Apesar da visão anti-cristã do mundo que está por trás de muitas teorias psicológicas, existe um grande estoque de dados reunidos durante um século de observação do comportamento humano que não deve ser descartado. São dados neutros que podem ser úteis quando enxergados no contexto de princípios morais e uma cosmovisão bíblica.

É necessária uma contextualização cuidadosa sob a direção do Espírito Santo. Mas se podemos alcançá-la sem nos apaixonarmos por nosso crescente conhecimento e sem considerar este conhecimento como a fonte da nossa esperança em aconselhamento, então temos algo de valor. Para ser justos, devemos admitir que existem milhares de cristãos equilibrados, comprometidos e saudáveis lá fora que estão tentando utilizar tais dados e que precisam do apoio, direção, orações e bênçãos da igreja.

Historicamente, a igreja sempre teve problemas quando deixou de integrar descobertas legítimas na sua cosmovisão bíblica. Depois, quando percebeu seu erro, foi longe demais na direção oposta, tentando compensar o erro, e desfazer a imagem irracional ou fanática diante de um mundo cético.

Esta constante obsessão com o que o mundo pensa sobre nós cria um enfoque pouco saudável em novas descobertas que nos impede de fixar os olhos em Jesus e sintonizar nossos ouvidos ao Espírito Santo. Um engano que os cristãos modernos cometem é utilizar conceitos seculares sem redefini-los de acordo com uma cosmovisão bíblica. Ao invés disso, adotamos o conceito moderno como um modo de provar ao mundo que: “Nós somos cultos, também!”. Tentamos nos validar perante seus olhos tornando-nos como eles, na esperança distorcida de que agindo desta forma, eles desejarão se tornar cristãos.

Alguém notou que isto não está funcionando? Alguém notou que a idéia de cultivar uma amizade com o mundo vai contra tudo o que Jesus profetizou que cristãos enfrentariam se fossem verdadeiramente seus discípulos?

Temos que assumir a postura ofensiva de conquistar terreno para o reino de Deus em lugar de nos afogarmos na defensiva postura de “vítima”, sempre defendendo território sitiado. Orgulho, idolatria intelectual e a atração hipnotizadora de um mundo sem Deus cegaram nossos olhos ao nosso verdadeiro chamado. A obsessão consigo mesmo de um mundo em terapia – nações inteiras com síndrome de vítima – desviou nossos olhos do Deus que pode resolver qualquer problema ou trauma, e nos fez olhar para deuses seculares que podem somente criar uma aparência de retidão.

Quem é o culpado?

Algumas pessoas usam acontecimentos dolorosos em seu passado como “desculpas subconscientes” para justificar seus comportamentos rebeldes. Muitos pensam que o fato de um conselheiro levantar uma história familiar é uma tentativa de colocar culpa na mãe ou no pai por suas próprias escolhas pecaminosas. Porém, o propósito disso não é olhar para as falhas dos pais ou dos outros no passado como meio de atribuir culpa, mas como meio de remover a culpa que já foi atribuída.

No momento em que fomos feridos, ou negligenciados, nós culpamos alguém. Agora, à medida que descobrimos onde abrigamos amargura e falta de perdão por eventos passados, podemos voluntariamente perdoar e assim retomar o espaço que Satanás ganhou em nossas vidas no início quando cometemos nossos “pecados de reação”.

À medida que passamos pela memória os pecados que outros cometeram contra nós, nossos “pecados de reação” (inveja, idolatria, votos, falta de perdão, julgamentos, ódio, desonra aos pais) são expostos como aquilo que realmente são – pecados que autorizaram Satanás a nos manter em escravidão. Quando Deus libera em nós uma capacidade de nos humilhar e perdoar como ele nos perdoou, somos libertos.

Havia duas pessoas em minha vida por quem minha raiva e ódio eram tão profundos que só pensar neles era como ácido que queimava todo o meu coração. Uma delas havia molestado sexualmente alguém muito querido para mim. A outra era meu pai.

Depois de toda uma vida acusando e condenando meu pai em meu coração por ser severo e desamoroso, minha raiva havia crescido fora de qualquer proporção em relação ao que ele realmente havia feito. Uma noite enquanto eu estava em adoração, Deus me pediu que perdoasse a ambas estas pessoas.

Protestei: “Eu direi as palavras se me mandares, mas tu sabes, Senhor, que no fundo do meu coração sou incapaz de realmente perdoá-los.” Para minha surpresa, Deus me pediu que olhasse para cima, em direção a ele, no Espírito, e enquanto olhava, notei que tinha algo em suas mãos. Ele então me olhou e disse: “Eu posso perdoar aquele homem e seu pai. Tome o perdão da minha mão e o entregue a eles. “

Assim estendi a mão e tomei o perdão das mãos de Jesus e virei-me para meu pai e o entreguei a ele e disse: “Com a capacidade que Jesus tem de perdoá-lo, Papai, eu o perdôo.” Eu podia sentir literalmente o perdão fluindo da mão do Senhor através da minha mão para meu pai. O ácido havia ido embora!

Na época da sua morte vários anos depois, meu pai havia se tornado o homem que eu mais amava neste mundo. A mesma coisa aconteceu com o outro homem que eu odiava. O ácido sumiu e nunca mais voltou. Não surpreendentemente, minha batalha com hábitos imorais também terminou quando fui liberto da falta de perdão.

Cavar no passado de alguém só deve ser feito pela direção do Espírito Santo. Se o conselheiro está usando sua experiência passada e formação profissional para tentar meramente adivinhar o que pode ter criado o problema, e não está rendido e submetido à direção do Espírito, então a busca pode resultar em algo egoísta e sem propósito restaurador. Também pode fazer com que a esperança de mudança seja baseada no auto-conhecimento ao invés de se basear no poder remidor resultante de uma relação íntima com Deus.

O objetivo de examinar a vida de uma pessoa é observar fatores causais sem transformá-los em combustíveis para achar culpados ou para nutrir falta de perdão, e nem para ser a base principal de esperança para mudança. Sempre temos que nos lembrar que o conhecimento do porquê ajuda, mas o conhecimento de Deus cura.

Usar as falhas dos outros para justificar nossas próprias decisões pecaminosas não vai dar certo com Deus. Assumir a responsabilidade por nossas ações é determinante para uma transformação permanente e para obter a participação de Deus no processo de cura. Em última instância, mamãe e papai não serão a causa do nosso fracasso em viver uma vida santa e produtiva – nós o seremos.

Todos nós temos uma tendência para o pecado, contudo Deus requer santidade e está certo em fazê-lo porque ele provê o modo para superar nossa síndrome de vítima, nossas limitações e degeneração. De fato, é sua glória elevar os mais vitimados, os mais desavantajados, os mais caídos e miseráveis dos pecadores, para serem servos fiéis e troféus da sua graça e poder.

Então pare de culpar seus pais, seus amigos ou suas circunstâncias por seus erros. Admita seu pecado, e permita que Deus traga cura e santidade. Torne-se um vencedor ao invés de uma vítima.

Extraído da Revista Charisma de abril, 1999.
David é formado na Trinity Evangelical Divinity School. Antes de sua conversão em 1980, viveu uma vida dupla como garoto de programa e ator de Hollywood. Foi nessa situação que Deus o salvou. Fundou o Mastering Life Ministries em 1987 e desde então tem viajado por quatro continentes ministrando tanto a salvos como não salvos.

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