Arauto Ano 44 - nº 02 - Mai/Ago 2026 - VIDA E PODER DE RESSURREIÇÃO

O Infinito Amor de Cristo

Octavius Winslow (1808–1878)

“Ele mesmo levou nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro…” (1 Pe 2.24).

A mais significativa e estarrecedora manifestação da santidade de Deus que o universo já presenciou, infinitamente superior e incomparável a qualquer outra, é o sofrimento e morte de seu Filho unigênito e amado! A cruz do Calvário revela a repulsa de Deus pelo pecado e sua disposição de eliminá-lo de tal maneira e em tal medida que nem mesmo a aniquilação de milhões de mundos, varridos da face do universo pela vassoura do seu juízo, jamais poderia ter feito!

Ah, que possamos aprender na prática estas duas grandes verdades: a infinita odiosidade do pecado e a infinita santidade do amor de Deus! O amor ao entregar seu Filho à morte; o amor de Cristo ao morrer; em contraste com a essência torpe e a absoluta gravidade do pecado, que exigiram um sacrifício tão divino, tão santo e tão precioso!

Vá então à cruz, meu leitor, e aprenda sobre a santidade de Deus. Contemple a dignidade de Cristo – preciosa ao coração de seu Pai –, a completa ausência de pecado em sua natureza. Depois, contemple a tristeza de sua alma; o suplício de seu corpo; a tragédia de sua morte; o aviltamento; a ignomínia; as profundezas insondáveis da humilhação pelas quais o nosso Deus encarnado passou!

E diante deste espetáculo sem igual, permita-me perguntar: Você ainda pode manter uma visão limitada da santidade de Deus? Uma visão superficial de sua própria pecaminosidade?

Que oceano insondável e sem limites!

O amor eterno moveu o coração de Jesus e o levou a abrir mão do céu e vir para a terra, a deixar o diadema por uma cruz, o manto da majestade divina pelas vestes da nossa natureza ao tomar sobre si a lepra do nosso pecado. Ah, o infinito amor de Cristo! Que oceano sem limites, insondável! Pergunte àqueles que o Senhor resgatou – cujas correntes ele rompeu, cujo cárcere ele abriu, a quem ele concedeu liberdade – se alguma vez existiu amor como o seu!

O que podemos dizer do preço do resgate? Foi o mais precioso, o mais valioso que o céu poderia oferecer! Jesus se deu inteiramente por nós! O que mais ele poderia ter feito? Entregou a si mesmo – corpo, alma e espírito. Ele deu seu tempo, seu trabalho, seu sangue, sua vida, seu TUDO – esse foi o preço do nosso resgate, o custo da nossa redenção. Carregou a lenha e ergueu o altar. E assim, expondo o peito ao golpe do braço erguido do Pai que foi em sua direção, ele pagou o preço da nossa salvação com o sangue, vivo e quente, de seu coração!

Como é possível que a força dessa verdade tão extraordinária e poderosa tenha uma influência tão insignificante em nossa vida? Ah, como é desesperadora a depravação da nossa natureza! E quão profunda a iniquidade de nosso perverso coração! Porventura, não seremos comovidos pelas gotas derramadas do sangue de Jesus? As agonias de Jesus na cruz não exercerão influência sobre nós? O amor que o levou à morte não nos constrangerá a buscar uma vida mais celestial?

Mergulhe nesse oceano de amor ilimitado e insondável!

Cristo é maravilhoso em seu amor. O amor foi o primeiro e eterno elo na corrente dourada lançada do mais alto trono do céu até as maiores profundezas da terra. O princípio de todas as maravilhas foi Cristo ter-nos amado. Quando tentamos compreender, medir, sondar ou escalar esse amor, descobrimos que ele possui alturas que não podemos alcançar, profundezas que não podemos sondar, comprimentos e larguras que não podemos medir! Esse amor – amor divino, amor infinito, amor eterno, redentor, amor que levou o Senhor à morte – é um oceano cujas ondas eternas trazem para o nosso mundo decaído as maravilhas de Deus e do céu.

O fato de Jesus ter amado seres como nós, de ter-nos amado quando ainda éramos pecadores, de ter-nos feito objeto de seu amor, nos escolhido, morrido por nós, nos salvado para, enfim, nos conduzir à glória, conhecendo nossa natureza e o que nós faríamos com seu amor – ah, esse é de fato um amor infinitamente admirável!

Ah, alma sobrecarregada pelo pecado, mergulhe nesse oceano de amor ilimitado e insondável! O amor cobrirá todos os seus pecados, apagará toda a sua culpa, inundará toda a sua indignidade; e, ao navegar sobre suas ondas divinas, você será suavemente conduzido às praias da bem-aventurança eterna!

Quantas vezes você já se perguntou por que Cristo haveria de fixar seu afeto em alguém como nós! E não é de admirar que, diante de nossa inconstância, dos desvios, de reações frias e desprezíveis, o amor de Deus por nós não tenha esfriado nem mudado? Mas não pare por aí, não se contente com sua experiência atual, e limitada, do maravilhoso amor de Cristo. Ele é extraordinariamente grande. Esse oceano de amor é tão ilimitado, insondável e inesgotável que, mesmo com todas as suas fraquezas, pecados e tristezas, você pode mergulhar nele e exclamar: “Ah, isso não tem fim!” O poço é fundo! Beba abundantemente, amado!

“A fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento” (Ef 3.18,19).

Por você!

“… Vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gl 2.20).

Jesus é precioso para o seu coração? Ele é o objeto da sua mais profunda admiração e seu maior deleite? Ele recebe o seu mais caloroso afeto? Você ama a Jesus?

Você precisa acender, no altar do Calvário, a tocha de seu amor por Cristo. Você precisa se aproximar da cruz, aprender e crer no que o amor de Jesus é para você; abraçar a imensidão desse amor, seu autossacrifício; como esse amor de Cristo se empenhou e chorou, sangrou, sofreu e morreu por você!

Como contemplar esse amor – amor tão precioso, tão grande, duradouro, abnegado, imutável? Como perceber que essa oferta foi feita por sua vida, que a cruz existiu por você, que essa agonia foi por você, que o desprezo e os insultos foram por você, que essa morte foi por você e não sentir nenhuma comoção, nenhuma emoção, nenhum amor por Jesus? Impossível!

Não desanime, então, lamentando inutilmente que o seu amor por Cristo seja tão frio, tão inconstante e hesitante. Medite na realidade e na grandeza do amor do Salvador por você. E, se amor pode inspirar amor, enquanto você medita, o fogo se acenderá e sua alma ficará inteiramente em chamas de amor por Jesus!

O assombroso, maravilhoso amor!

A cruz de Jesus inspira o nosso amor por ele. Parece impossível alguém ser levado pelo Espírito Santo ao pé da cruz e não sentir a inspiração do amor. A compreensão do extraordinário e incomparável amor de Jesus, que da cruz dirige a nós seu olhar de perdão, certamente derreterá nosso frio coração, enchendo-o do mais caloroso afeto. Creia que Jesus ama você, e o seu coração manifestará um amor recíproco que o conduzirá a uma obediência voluntária e a uma entrega sem reservas, com a disposição de servir fielmente, sofrer pacientemente, envolto e consumido pelas chamas do próprio afeto – pelo céu inspirado e ao céu destinado. O assombroso e maravilhoso amor que Deus demonstrou ao dar seu Filho amado para morrer em nosso lugar é um cordão pelo qual ele deseja atrair nosso coração em resposta amorosa para si mesmo!

– Adaptado de Christ’s Sympathy To Weary Pilgrims, compilado por Grace Gems, www.gracegems.org.

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